O que têm aí?

Um livro.

Mais do que um livro, uma brincadeira.

O que têm aí?

A seriedade e a importância do brincar. A seriedade e a importância da musicalidade das palavras nos tempos iniciais da vida humana.

A brincadeira de cadê-achou não é clássica à toa. Ela é estruturante na medida em que está a serviço da constituição psíquica do bebê.

Rosinha brinca de cadê-achou a cada pergunta lançada ao pequeno leitor. As perguntas, simples, acompanham respostas também simples (e inusitadas), ambas cheias de rima, permitindo diferentes entonações ao longo da leitura. A cada interrogação, bebê e leitor/cuidador são convocados ao enigma do que tem por trás da pergunta, do que tem atrás da página-aba. A interrogação e o movimento de abrir a página-aba cria um suspense e suspende a voz, a presença, em presença do livro e do leitor/cuidador. Esse é o jogo. E a riqueza dessa publicação da Jujuba Editora.

Além do jogo, as expressões de cada personagem nos convocam a fazer novas expressões faciais, por vezes, mais exageradas, acompanhando os picos prosódicos da narrativa. Tecendo a ritmicidade da leitura, da brincadeira, do encontro entre o bebê e o leitor/cuidador.

 

Texto escrito por Patrícia L. Paione Grinfeld.

A Patrícia é psicóloga (PUC-SP), com pós-graduação em psicoterapia de casal e família (PUC-SP) e em psicanálise na perinatalidade e parentalidade (Instituto Gerar). Cursa especialização em estimulação precoce/clínica transdisciplinar do bebê (Instituto Travessias da Infância, Centro de Estudos Lydia Coriat-SP e UniFVC). Foi sócia-fundadora e integrante da equipe do Instituto Therapon Adolescência. Da atuação na saúde mental, migrou para a área comercial, trabalhando com atendimento ao cliente e comércio eletrônico. Em 2004 a carreira ficou de lado para dedicar-se à família. No retorno às atividades profissionais, além da atuação clínica, foi técnica do Programa Palavra de Bebê do Instituto Fazendo História. Desde 2012 é sócia-fundadora da Ninguém Cresce Sozinho.