Uma Chapeuzinho Vermelho, livro escrito e ilustrado por Marjolaine Leray (Companhia das Letrinhas), é uma obra-prima para incrementar as conversas sobre abuso sexual com as crianças.

“Essa” Chapeuzinho (e isso é lindo, pois aponta a singularidade) tem uma esperteza, que pode ser traduzida pelo conhecimento prévio sobre a intenção do Lobo Mau: comê-la. Não à toa, o verbo comer ganhou, na linguagem coloquial, o sentido de ato sexual.

É saber que existe por parte de jovens e adultos – independentemente do gênero – a intenção de “comer crianças” que permite ter com as crianças conversas francas que as ajudem a ligar a luz de alerta diante de atitudes que possam sinalizar o intuito ou a ocorrência de abuso sexual.

De acordo com dados apurados pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, e publicados há exato um ano pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no site do Governo Federal, 73% dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes acontecem na casa da própria vítima ou do suspeito, sendo cometida em 40% das denúncias por pai ou padrasto. Isso significa que o Lobo Mau está bem mais perto da vítima do que à espreita para seduzi-la quando ela sai a passeio.

Para quem quer conhecer um pouco mais sobre o livro, recomendamos a fala de Sandra Murakami Medrano no vídeo publicado pelo Sesc TV no Super Libris, um programa que fala de um jeito bastante descontraído sobre literatura brasileira:

 

Texto escrito por Patrícia L. Paione Grinfeld.

A Patrícia é psicóloga (PUC-SP), com pós-graduação em psicoterapia de casal e família (PUC-SP) e em psicanálise na perinatalidade e parentalidade (Instituto Gerar). Cursa especialização em estimulação precoce/clínica transdisciplinar do bebê (Instituto Travessias da Infância, Centro de Estudos Lydia Coriat-SP e UniFVC). Foi sócia-fundadora e integrante da equipe do Instituto Therapon Adolescência. Da atuação na saúde mental, migrou para a área comercial, trabalhando com atendimento ao cliente e comércio eletrônico. Em 2004 a carreira ficou de lado para dedicar-se à família. No retorno às atividades profissionais, além da atuação clínica, foi técnica do Programa Palavra de Bebê do Instituto Fazendo História. Desde 2012 é sócia-fundadora da Ninguém Cresce Sozinho.