Patrícia L. Paione Grinfeld é entrevistada pela Aliança pela Infância na reportagem Televisão, tablet e smartphones: especialistas refletem sobre tempo de exposição às telas ideal para cada idade.


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A presença e a mediação do adulto

Patrícia Grinfeld, psicóloga e co-fundadora da Ninguém Cresce Sozinho, organização que oferece serviços com foco na perinatalidade, parentalidade e primeira infância, argumenta que não é possível educar as crianças dentro de um mundo ideal, uma vez que as telas são uma realidade presente em diversos contextos da vida atualmente.

Se existem televisões em restaurantes, ruas de comércio, consultórios médicos e espaços para crianças, quando o assunto é aparelhos eletrônicos a incidência fica maior ainda: desde a tela do caixa eletrônico, passando pelo tablet onde um garçom anota pedidos no restaurante até os smartphones. Quem hoje não tem um telefone celular?

Entretanto, o grande prejuízo dessa realidade é, segundo Patrícia, a falta de mediação do adulto, não só no sentido de controlar o tempo e o conteúdo acessado – fatores igualmente importantes -, mas a indisponibilidade de estar junto para usar a tela com a criança. A psicóloga exemplifica: se antes o adulto cantava para o bebê e transmitia cultura enquanto conversava com ele, hoje liga um aplicativo que toca música. “Não é que a música não seja boa, mas dessa forma eliminamos a voz e a presença física de uma figura que acolhia e ouvia a resposta da criança”, explica.

Mas antes de discutir se pode ou não ou quanto tempo de tela é indicado para cada idade, é preciso dar um passo atrás e perguntar: por que oferecer as telas às crianças? “O adulto não precisa estar com a criança o tempo todo. Mas, momentos como antigamente, quando a mãe ia estender as roupas no varal e dava os prendedores ou vasilhas de plástico para o bebê brincar e conhecer o ambiente, estão sendo substituídos pelas telas. A criança precisa estar sozinha em alguns momentos. Mas sozinha não é estar na companhia da tela, é explorando sua imaginação, brincando, fazendo nada ou no ócio buscando o que fazer.”

É nesse sentido que a psicóloga afirma que a tela dá uma suposta segurança, porque a criança está entretida, não vai dar trabalho e o adulto pode seguir com seus afazeres. Dessa forma, ressalta a importância de, em um momento no qual a pessoa não pode estar presente porque está ocupada, possibilitar que a criança se ocupe de uma tarefa criativa.

Experiências recentes com famílias no âmbito da Ninguém Cresce Sozinho têm mostrado uma sobreposição de prejuízos frente a benefícios dos aparelhos. Patrícia afirma que basta deixar a criança livre e sem tela que ela cria. Mas, atualmente cresce o número de crianças que não conseguem mais inventar. “Elas ficam angustiadas porque é como se não tivessem esse repertório interno de inventar, de pegar uma caneta e começar a desenhar, ou brincar com um copinho, uma coisa simples.”

A introdução de aparelhos em momentos diversos do dia, como a televisão durante as refeições ou para a criança dormir, também apresenta efeitos negativos sobre os pequenos. “Há crianças que só comem na frente da TV ou tablet, em um momento que deveria existir uma relação com o alimento e a pessoa que a alimenta. Uma vez que entra a tela, devemos pensar no que perdemos em termos de relação, muito mais do que pensar no tempo de tela.”

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Imagem: Pixabay.