Na reportagem de Valéria Mendes ‘Vem ni mim que eu tô facin’: como a reação na internet reforça as diferenças de gênero, no Saúde Plena (Portal Uai), Patrícia L. Paione Grinfeld sinaliza algumas questões sobre a exposição das crianças diante de conteúdos eróticos e nas redes sociais.

Confira abaixo trechos da matéria e a reportagem completa aqui.


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Para a psicóloga e autora do blog ‘Ninguém Cresce Sozinho’, Patrícia Grinfeld, ainda existe uma falta de informação e reflexão do quão desgastante é esse compartilhamento para a imagem dessa menina e da família dela. “As pessoas não se dão conta que estão reforçando esse lugar de superexposição da infância. De um lado temos os que pensam que a infância é uma fase da vida e só, mas já notamos na sociedade famílias que percebem a infância sendo atropelada por tanta informação e aparatos tecnológicos. O apelo erótico, inclusive, vem muito pelas redes sociais”, afirma.

A especialista observa ainda que a coleção de carnaval da marca UseHuck reforça a ideia de que seja uma festa do ‘tudo pode’ do ponto de vista sexual e inclui as crianças nessa permissividade. As camisetas estavam sendo comercializadas para a faixa etária de 2 até 12 anos. “Comportamentos sexuais dos adultos estão sendo vividos pelas crianças desde muito cedo. Percebemos isso desde situações como essa até aquelas em que crianças têm acesso a conteúdos eróticos”, diz.

Reações diferentes
Sobre o fato de a menina ter sido muito mais exposta que o menino, Patrícia atribuiu o comportamento ao reflexo da cultura. “O homem é visto muito mais como abusador, mas no caso das crianças, o abuso de meninos acontece e muito. A menina é sempre vista como passiva e o menino, ativo. E isso reforça o modelo cultural que a gente vive: a mulher é a fácil e o garoto faz, mas não precisa se responsabilizar por nada. Está aí uma oportunidade para a sociedade pensar sobre responsabilização”, pontua.

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Cuidados
Por ser impossível a inexistência de modelos mirins, a psicóloga Patrícia Grinfeld faz um alerta: “Os pais devem se atentar aos contratos que são feitos e vincular a veiculação da imagem a uma autorização prévia após a peça ser concluída”. Para ela, se a própria UseHuck admitiu no comunicado que não sabia que as estampas da linha adulta seriam usadas na infantil, a chance de os pais das crianças saberem é pequena e dá para supor que tenha havido um uso indevido da imagem.

 

Imagem: Portal Uai.