somos uma startup que nasceu da escuta e do diálogo com famílias sobre parentalidade e primeira infância.

como tudo começou

Meus filhos eram pequenos e eu transitava por lugares onde famílias com bebês e crianças circulam na cidade de São Paulo. Estava no “DNA”, apesar de não estar naquele momento exercendo a profissão de psicóloga, observar e escutar o entorno. Observava e escutava, escutava e observava. Havia muita coisa nova e algumas inquietações silenciosas.
Era 2010, os blogs estavam surgindo. Fiz uso da ferramenta para escrever esporadicamente como registro pessoal no 2x mãe. Dois anos depois, ouvindo uma mãe dizer que o desfralde noturno da filha não acontecia, mesmo com a fralda permanecendo seca, pois colocar a fralda da noite era um momento especial entre a menina e o pai, a indagação interna – “como assim?” – ficou pequena para ser só minha. Convidei, então, uma amiga, também psicóloga, para escrever comigo sobre primeira infância com o intuito de salpicar informações e provocar reflexões. Um novo blog foi criado: Ninguém Cresce Sozinho. De nome grandão, carregava nele, como todo nome, uma crença, uma aposta, um desejo. Pouco a pouco vieram os primeiros compartilhamentos, comentários, pedidos para que escrevêssemos sobre temas específicos, para ajudar com algumas questões cotidianas que envolviam o desenvolvimento infantil e, para nossa surpresa, para que abríssemos rodas de conversas. Mas onde, como?
Tentamos o consultório (eu já havia retornado a ele). Com exceção de indivíduos e famílias que chegavam em sofrimento, pessoas com questões relativas à parentalidade não apareciam para as rodas. Ir “conversar” num consultório de psicologia “sem ter problema”? Imaginamos que isso pudesse ser um impeditivo. Como a parentalidade vinha sendo discutida, principalmente por mães, a partir das próprias experiências, na internet, entendemos que era preciso estar nela.
Mais profissionais, com experiências clínicas e institucionais diversas, se juntaram a nós. Fizemos as primeiras rodas de conversas online e, em paralelo, buscamos espaços de convivência e cultura para ampliar reflexões sobre modos engessados do exercício da parentalidade – marca de nosso tempo, que tem produzido muita angústia e sofrimento – e possibilidades relacionais entre bebês/pequenas crianças e seus cuidadores primordiais. Buscamos esses espaços por entender que, por propiciar novos referenciais e ser parte importante da rede de pertencimento, apoio e transmissão cultural de muitas famílias, são promotores de saúde mental. Assim, além das rodas de conversas, começamos a realizar, principalmente em unidades do Sesc-SP, oficinas lúdicas e literárias, amplificando diálogos sobre parentalidade e primeira infância entre famílias e a sociedade.
A necessidade premente de repensar as formas de cuidado, escancarando o quanto essa responsabilidade ainda é centrada na figura materna, nos dirigiu, com a mesma crença, aposta e desejo, a desbravar um novo espaço: as empresas. Muito além dos desafios que é conciliar carreira e família, entendemos ser imprescindível que a parentalidade seja debatida em sua complexidade e incluída em ações nestes ambientes. Afinal, mesmo que mães, pais e cuidadores, que dedicam boa parte de suas vidas ao trabalho, sejam os principais responsáveis pela nova geração, essa responsabilidade não tem como ser assumida isoladamente. Para cuidar do futuro, temos que cuidar das crianças. Para cuidar das crianças, temos que cuidar de quem cuida delas. Cuidemos juntos!
Patrícia L. Paione Grinfeld 
Sócia-fundadora da Ninguém Cresce Sozinho

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